On quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Deus na berlinda...

Após acender a ira do Todo Poderoso com questionamentos sobre sua onisciência, Homer prossegue em sua jornada espiritual, levando a Deus suas dúvidas e perguntas que, de fato, são a representação das interrogações que há tempos intrigam cristãos.

Num mundo religioso construído sobre o imperativo do medo e a visão do questionamento como um pecado passível de punição (é preciso ignorar a razão em nome da loucura das divinas revelações bíblicas), Homer, com todas suas limitações intelectuais, se arrisca a desvendar os princípios divinos.

Marge está muito preocupada com Homer. Acha que tudo isto, além de ser pecado, não passa de excesso de bebida. Lisa discorda da mãe, levantando suspeitas sobre um possível caso de esquizofrenia em seu pai. Já Barth, bem, ele tem conversado com Homer na tentativa de marcar uma audiência com o diabo.

Mas nosso Homie não se deixa abalar pelas desconfianças da família. Já tendo questionado se Deus é bom e sabe de todas as coisas, as dúvidas não param de fervilhar sobre os atributos divinos. Seria Deus realmente o Todo Poderoso?

Não sei se Deus pode todas as coisas, mas sei que você consegue ir além!Ao infinito e além! Vai Homer!
O Senhor pode todas as coisas?

- Homer: Deus, o senhor pode fazer todas as coisas? Tem todo poder que quiser para realizar sua vontade?

- Deus: Sim, Homer! Todo poder está minha mãos. Posso tudo e não há nada que possa me impedir de cumprir os meus desígnios.

- Homer: Mas Deus, não me parece que é bem assim... Desculpa, cara, mas até eu que não sou inteligente como a Lisa percebo que isto não faz sentido. Às vezes penso que só eu duvido assim, mas acho que, no fundo, quase todo mundo duvida. Só Flandres idiota que não, mas isto não vem ao caso...

- Deus: Por que diz isto, Homer? É pecado tentar Deus a mostrar seu poder!

- Homer:  Então me explica... Se o Senhor é bom como diz ser, sabe de todas as coisas e tem todo poder, por que permitiu que o mal existisse? Com o seu poder, não poderia decretar somente a existência do bem?

- Deus: Seu eu decretasse somente a escolha do bem, não haveria livre-arbítrio ou uma real liberdade, Homer.

- Homer: Mas o senhor disse que nada poderia impedir o cumprimento da sua vontade... Quer dizer que não era de sua vontade que só existisse o bem? Ou o senhor teve o desejo que houvesse o mal?

- Deus: É... bem... Eu criei um plano de redenção maravilhoso para acabar com o mal. Enviei meu filho Jesus para morrer e redimir a humanidade. Foi um gesto de bondade e de representação de meu poder! Deixei aos humanos a livres para escolherem por negá-lo ou aceitá-lo.

- Homer: Mas que liberdade é esta, Deus? Se as pessoas não fizerem o que o Senhor determina elas são punidas com o castigo eterno do inferno. O senhor acha isto livre-escolha?

- Deus: Sim! Vocês humanos é que não entendem meu plano divinos.

- Homer: Lá vem o senhor com a desculpa dos planos divinos... Além do mais, se desde o princípio havia um plano de redenção, por que o senhor demorou séculos para enviar Jesus? Se nada impede sua vontade, então era de sua escolha a demora?

- Deus: Para tudo há um tempo Homer. Um plano perfeito e suficiente de salvação precisa de planejamento.

- Homer: Perfeito? Acho que só o senhor e o Flandres veem com este otimismo. O senhor deixou que Jesus morresse e sofresse. Você gosta de sofrimento? Para cumprir sua vontade, já que o senhor tem todo poder, por que não determinou um plano menos cruel e sem sentido?
Jesus era um cara legal, tinha cabelo grande. Aquele barbudo falava umas coisas hippies, interessantes. Precisava ser tão cruel? Depois a Marge reclama que eu esgano o Barth. Isto não é nada comprado com o senhor fez com o seu filho!

- Deus: Está bem, Homer. Confesso que teve que haver derramamento de sangue e dor. Eu determinei que o sangue seria a moeda que quitasse as dívidas e pecados da humanidade contra mim. Esta foi minha vontade... Mas ao menos funcionou, não acha?

- Homer: Agora eu sei de onde o Flandres tira tanta besteira. Ele fala com o senhor frequentemente, não? Mas bem... O senhor acha que deu certo? Está na cara que não.
Certa vez, quando a Marge falava com a Lisa e o Barth sobre o inferno e salvação, a Lisa disse muitas coisas inteligentes sobre este "plano de salvação". Ela veio com uns números... Se o mundo tem hoje mais de 6 bilhões de pessoas e somente pouco mais de um bilhão é cristã, de cara 5/6 da humanidade já estaria condenado ao inferno. Mas, no sentido qualitativo (eu não sei o que significa esta palavra), a bíblia condenaria milhões de cristãos por sua falta de fé e transgressões. Segundo as contas delas, sendo otimista, se metade dos cristãos fosse salva, isto daria aproximadamente ridículos 10%. Isto tem alguma relação com o senhor exigir 10% nos dízimos?

- Deus: É que...

- Homer: Pera aí! Se o senhor tem todo poder, por que não fez algo que salvasse mais pessoas? Se sabia desde o princípio de todo futuro, que seu plano salvaria pouquíssimas pessoas, por que não fez algo diferente? Como o senhor pode ser bom se sabia de tudo e tinha todo poder para agir diferente? Estou ainda mais confuso, Deus... Será que o senhor existe mesmo?
Deus? Onde o senhor está indo?

- Deus: Desculpe Homer. Esta resposta terá que ficar para depois. Permiti que houvesse um terremoto, que acaba de devastar o Haiti. Tenho uma remessa imensa de almas para condenar ao inferno. Você sabe como é, eles sequer sabiam quem era Jesus...

- Homer: Sempre soube que a Marge estava perdendo tempo ao orar por aquelas pessoas. Eu sabia que elas estavam ferradas. A Lisa vai ficar decepcionada, já que de nada adiantou entrar num grupo de recolhimento de doações aos haitianos. Se ao menos o senhor avisasse quando fosse mandar as pessoas para o inferno. Isso ia melhorar muito a vida. Já pensou nisso, Deus?

Camisas Vero

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